Mudança de trajetória



Lux-Absentia é o trecho de uma letra que retirei do disco Obscura, lançado pela banda canadense Gorguts em 1991. Traduzido piamente, significa algo como "The absense of light", "A falta de luz".

Para a época, fazia bastante sentido com o seguimento de música que eu gostaria de abordar. Música extrema, experimental, basicamente tudo que pulava fora do radar da mídia convencional especializada em metal extremo.


Hoje, acabou tomando um sentido mais amplo que surpreende a mim mesmo. O sonho de ser como àqueles que me inspiraram a escrever sobre música morreu. Morreu junto com minha admiração por eles, inclusive. Tão morto quanto o latim, língua tão arcaica que sua única função atual é servir para preencher espaços textuais em layouts para pré-visualização (o famoso Lorem ipsum).

A princípio, foi bastante frustrante encarar uma tela em branco na expectativa para produzir conteúdo, mas simplesmente não conseguir fazer nada -- inclusive enquanto escrevia isso, travei várias vezes até retomar o raciocínio.

Portanto, este é um espaço onde, de forma bem errática e espontânea, vou liberando minha vontade de voltar a fazer algo que antes me trazia prazer, mas que hoje é bem mais que isso, é minha terapia para superar coisas bem maiores que alguns momentos felizes, inclusive.

Sejam novamente bem vindos, e é tudo o que tenho a dizer e oferecer no momento.



As The Flowers Withers - Quando uma produção pode ser relevada.


Em algumas discussões que tive com alguns amigos via Facebook, defendi com certo fervor a importância de uma boa, ou ao menos condizente, produção para um disco, seja de qual gênero for. Desde o gélido e lo-fi som do black metal mais tradicional ao groove e calor que emanam dos instrumentos que entoam os melhores funks existentes. Sim, sou meio chato com produção ruim, e isso influencia demais no meu julgamento.

Eis que, revisitando a discografia do My Dying Bride -- uma das bandas que mais reverencio na história da minha paixão tresloucada pelo doom inglês -- acabei voltando no As The Flower Withers, primeiro full oficial lançado pela banda. 

O disco, na verdade, não posssui um peso enorme para a carreira do My Dying Bride, muito menos possui uma música sequer lembrada pelos fãs. O estilo da banda no todo ainda é bem rústico, quase tosco mesmo. Sim, temos os sintetizadores emulando órgão e teclados, mas a tosqueira de uma banda iniciante ainda fala mais alto.
Primeiro visual do My Dying Bride em 1992, já carregado da estética gótica.
Com parco apoio da Peaceville, que contava com um catálogo farto em qualidade, mas também em tosqueira de produção precária na mesma proporção, o My Dying Bride deste disco é uma banda ainda longe da maturidade e experiência que mostrariam no ano seguinte. Até os vocais de Aaron Stainthorpe são tão imaturos que seus guturais me provocam risos em alguns momentos.

Ainda que a produção seja mais adequada para um disco de funeral doom, com os graves prestes a estourar os subwoofers e o som de bumbo parecendo um martelo acertando uma parede de madeira compressada, há um certo charme aqui. Talvez a qualidade geral das composições, talvez um certo ar de comprometimento passado pelas bandas e que resiste nestes mais de 23 anos desde o seu lançamento. O motivo ao certo eu não sei explicar. O que posso concluir é que, apesar da produção ser realmente fraca, é um disco que me fez afrouxar os conceitos por causa de discos mau produzidos.

E convenhamos: relevar a grosseria de riffs maravilhosos, como o de "The Return of the Beautiful" ou de "Sear Me" é cometer muita injustiça.