Em algumas discussões que tive com alguns amigos via Facebook, defendi com certo fervor a importância de uma boa, ou ao menos condizente, produção para um disco, seja de qual gênero for. Desde o gélido e lo-fi som do black metal mais tradicional ao groove e calor que emanam dos instrumentos que entoam os melhores funks existentes. Sim, sou meio chato com produção ruim, e isso influencia demais no meu julgamento.
Eis que, revisitando a discografia do My Dying Bride -- uma das bandas que mais reverencio na história da minha paixão tresloucada pelo doom inglês -- acabei voltando no As The Flower Withers, primeiro full oficial lançado pela banda.
O disco, na verdade, não posssui um peso enorme para a carreira do My Dying Bride, muito menos possui uma música sequer lembrada pelos fãs. O estilo da banda no todo ainda é bem rústico, quase tosco mesmo. Sim, temos os sintetizadores emulando órgão e teclados, mas a tosqueira de uma banda iniciante ainda fala mais alto.
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| Primeiro visual do My Dying Bride em 1992, já carregado da estética gótica. |
Com parco apoio da Peaceville, que contava com um catálogo farto em qualidade, mas também em tosqueira de produção precária na mesma proporção, o My Dying Bride deste disco é uma banda ainda longe da maturidade e experiência que mostrariam no ano seguinte. Até os vocais de Aaron Stainthorpe são tão imaturos que seus guturais me provocam risos em alguns momentos.
Ainda que a produção seja mais adequada para um disco de funeral doom, com os graves prestes a estourar os subwoofers e o som de bumbo parecendo um martelo acertando uma parede de madeira compressada, há um certo charme aqui. Talvez a qualidade geral das composições, talvez um certo ar de comprometimento passado pelas bandas e que resiste nestes mais de 23 anos desde o seu lançamento. O motivo ao certo eu não sei explicar. O que posso concluir é que, apesar da produção ser realmente fraca, é um disco que me fez afrouxar os conceitos por causa de discos mau produzidos.
E convenhamos: relevar a grosseria de riffs maravilhosos, como o de "The Return of the Beautiful" ou de "Sear Me" é cometer muita injustiça.
E convenhamos: relevar a grosseria de riffs maravilhosos, como o de "The Return of the Beautiful" ou de "Sear Me" é cometer muita injustiça.

